Diante de um mercado solar marcado por forte concorrência, pequenos detalhes podem colocar seu projeto muito à frente de outros competidores.
Grandes projetos de geração centralizada nascem da prospecção de acessos à rede. Em seguida, o time de fundiário é responsável por encontrar áreas que tornem a implementação viável. Com a área preliminar definida, começa uma das fases mais importantes do projeto: a prospecção.
A prospecção pode camuflar decisões estratégicas que, se negligenciadas, podem custar muito caro ao desenvolvedor posteriormente. Nesta fase acontecem os investimentos iniciais em otimização de projeto, estudo do recurso solar e definição de equipamentos. A equipe de desenvolvimento nesta etapa deve sempre vislumbrar segurança aos investidores, e ao mesmo tempo viabilizar economicamente o projeto.
O volume de investimento em usinas de grande porte exige também uma certa meticulosidade na análise de viabilidade. O recurso solar merece atenção especial neste ciclo, pois impacta diretamente o nível de confiança do investidor. Diferente da geração distribuída, em projetos utility-scale é recomendado fazer medições em solo no local desejado. A definição da instrumentação de uma estação solarimétrica de prospecção é um detalhe menosprezado por muitos desenvolvedores.
É comum que os players optem por estações com instrumentação simplificada – geralmente o mínimo exigido pela EPE para cadastramento em leilões de energia: 2 piranômetros classe B, 1 termo-higrômetro e 1 anemômetro. Porém, o investimento nesta fase impacta diretamente o nível de incerteza dos estudos de produção de energia.
Por exemplo, uma estação solarimétrica EPE básica apresenta um recurso solar muito menos preciso (maior incerteza) do que uma estação equipada com piranômetros Classe A e com medições complementares de outras componentes de irradiação (POA ou IDN). Da incerteza do recurso solar se deriva a incerteza da produção de energia e, consequentemente, a energia P90 do projeto.
Dentre outras características que podem impactar as incertezas, podemos citar a atenção com manutenções preventivas e a resolução temporal do recurso solar. A periodicidade das manutenções garante que o estado de limpeza e nivelamento dos sensores seja mantido, melhorando a qualidade e reduzindo incertezas. Por sua vez, a resolução temporal do recurso impacta diretamente a produção de energia, subestimando perdas como o clipping dos inversores.
Em um processo de M&A (Mergers and Acquisitions), o investidor avalia diversos projetos para a compra. Essas análises geralmente são normalizadas em relação à potência instalada, ao nível de irradiação e a um cenário de risco (geralmente P90). O estudo é feito dessa forma para que todas as particularidades sejam levadas em conta, garantindo uma boa escolha.
A Figura 1 apresenta um comparativo entre os diversos cenários de investimento do desenvolvedor na prospecção versus seu impacto na Energia P90 de um projeto. Ao fundo é possível ver também o nível percentual de incertezas de cada categoria – tanto de incerteza da avaliação do recurso solar como também a incerteza do estudo de produção de energia.
Figura 1: Categorias de Investimento versus Ganho de Energia P90
Dois insights importantes que podem ser retirados desse gráfico são:
- Focar na economia imediata traz perdas: A primeira categoria à esquerda mostra um desenvolvedor econômico, que não investiu em medições em solo no local do empreendimento. Por sua vez, a última categoria à direita traz um desenvolvedor experiente, que optou por sensores de qualidade superior, por acompanhamento exemplar da campanha e por estudar POA já na prospecção do projeto. Em um M&A normalizado (mesma potência e irradiação), o desenvolvedor experiente partiria de quase 6% mais Energia P90 do que o desenvolvedor econômico. Para o comprador, a vantagem do desenvolvedor experiente demonstra que ele estaria comprando um projeto muito mais confiável.
- Importância do acompanhamento: Uma estação EPE abandonada – que opera por 12 meses em campo sem manutenções ou acompanhamento – apresenta menor Energia P90 (e maior incerteza) do que um estudo de recurso solar baseado em dados de satélite puros. Este dado mostra a importância do acompanhamento constante das medições durante a campanha de prospecção.
Por atuar em todas as fases de desenvolvimento de um projeto – desde a prospecção até a operação – a FOTOVOLTEC tem experiência e independência para orientar e facilitar decisões. A confiabilidade do trabalho e a visão clara do objetivo final do cliente, ajudam a fazer com que mesmo o desenvolvedor mais inexperiente seja competitivo frente a qualquer grande player do mercado.